Escanteada por Trump, saída de diretora de Inteligência dos EUA era questão de tempo
A Diretora de Inteligência Nacional, Tulsi Gabbard, na Casa Branca, em 23 de julho de 2025, em Washington. AP/Alex Brandon A doença do marido justificou a ren...
A Diretora de Inteligência Nacional, Tulsi Gabbard, na Casa Branca, em 23 de julho de 2025, em Washington. AP/Alex Brandon A doença do marido justificou a renúncia de Tulsi Gabbard ao cargo de Diretora Nacional de Inteligência dos EUA, mas a sua saída do governo, anunciada nesta sexta-feira pelo presidente e por ela, era especulada há tempos e não causou surpresa alguma. Gabbard vinha sendo escanteada por Trump e não participava de decisões cruciais, como principal autoridade da equipe de segurança nacional do presidente, embora seu departamento lidere 18 agências, entre elas a CIA, o FBI e o NSA. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Agora no g1 Como exemplo desta relação desconectada, enquanto Nicolás Maduro era retirado à força de seu quarto em Caracas e levado para os EUA, em janeiro, a diretora de Inteligência postava fotos de uma viagem turística com a família no Havaí. Tampouco participou das discussões que antecederam o ataque dos EUA e Israel ao Irã. Gabbard sempre se opôs a intervenções militares no exterior. E teve dificuldades para justificar os bombardeios numa audiência, em março, do Comitê de Inteligência do Senado. "O regime no Irã parece estar intacto, mas amplamente degradado pela Operação Fúria Épica", afirmou, na época, contradizendo o presidente, que assegurava que o Irã estava prestes a obter uma arma nuclear. Esta convicção contrária a guerras no Oriente Médio a fez deixar o Partido Democrata, do qual foi pré-candidata à Presidência em 2020, mudar para a legenda adversária e cair nas graças de Trump e seu movimento MAGA. Sua gestão, de 15 meses, à frente do DNI, no entanto, foi bastante tumultuada. Gabbard rivalizava com o diretor da CIA, John Radcliffe, enviado a Havana na semana passada pelo presidente para negociar com autoridades cubanas. Mais um sinal de desprestígio da diretora de Inteligência, que não fazia parte do círculo íntimo de Trump. Ultimamente, enquanto o governo se enrasca para tentar sair da guerra contra o Irã, ela conduzia investigações sobre a fraude eleitoral na Geórgia, em 2020. A doença do marido Abraham, um raro câncer ósseo, foi o motivo alegado por ela e Trump para a renúncia do cargo, no dia 30 de junho. A saída era uma questão de tempo, conforme indicou o senador democrata Adam Schiff, após lamentar a doença do marido. “A única contribuição positiva de Tulsi Gabbard para a segurança nacional de nossa nação é a sua renúncia. Ela politizou a inteligência. Desmantelou agências essenciais para a segurança dos americanos. Instrumentalizou a comunidade de inteligência para perseguir alegações infundadas de fraude eleitoral”, analisou Schiff no X. O principal fracasso que levou à sua remoção do governo, contudo, parece ter sido a exclusão, pelo próprio presidente americano, dos temas que envolviam a segurança do país. Veja mais: EUA ou Irã: quem vencerá o jogo de resistência no Estreito de Ormuz? 'Dinheiro acabando': brasileiro relata angústia em La Paz com protestos que não o deixam sair da Bolívia