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'Foi como uma pedrada no rosto': adolescente estuprada fala à BBC sobre decisão de juiz que poupou agressores da prisão

Uma garota estuprada por dois adolescentes disse à BBC que a decisão de um juiz de não prendê-los foi como uma "pedrada no rosto". Em entrevista exclusiva Ã...

'Foi como uma pedrada no rosto': adolescente estuprada fala à BBC sobre decisão de juiz que poupou agressores da prisão
'Foi como uma pedrada no rosto': adolescente estuprada fala à BBC sobre decisão de juiz que poupou agressores da prisão (Foto: Reprodução)

Uma garota estuprada por dois adolescentes disse à BBC que a decisão de um juiz de não prendê-los foi como uma "pedrada no rosto". Em entrevista exclusiva à Laura Kuenssberg, da BBC, ela disse: "Qual era o sentido de me fazer passar por tudo isso?" Falando anonimamente ao lado de sua família, a adolescente disse que a decisão do juiz "quase deu a impressão de que o que os meninos fizeram não era certo, mas era aceitável aos olhos da lei porque eles ainda eram crianças". A procuradoria-geral irá revisar a sentença proferida pelo juiz Nicholas Rowland, que afirmou na quinta-feira querer evitar a "criminalização" dos meninos, descrevendo-os como "muito jovens". Agora no g1 Aviso: Esta matéria contém detalhes que podem ser perturbadores para alguns leitores. A vítima tinha 15 anos quando foi estuprada em uma passagem subterrânea às margens do Rio Avon, em Fordingbridge, Hampshire, no Reino Unido. Ela havia viajado para encontrar um dos meninos pela primeira vez em novembro de 2024, após ele ter iniciado um "relacionamento" com ela pelo Snapchat. Os dois réus, que agora têm 15 anos, também foram condenados por atacar uma segunda vítima, estuprada em um campo em janeiro de 2025. Entrevista com a adolescente foi ao ar no programa 'Sunday with Laura Kuenssberg', da BBC via BBC Um terceiro menino, atualmente com 14 anos, também foi condenado por envolvimento no segundo ataque. Os agressores filmaram os estupros nos celulares e posteriormente compartilharam parte das imagens online. Na audiência de sentença no Tribunal Crown de Southampton, o juiz ressaltou a "gravidade" dos crimes e disse que as filmagens tornavam os casos ainda "mais graves". Em seguida, elogiou os meninos pelo comportamento durante o julgamento. A jovem e sua família querem que as sentenças sejam alteradas e que os meninos sejam presos, afirmando que as penas equivaleram a uma "palmadinha no pulso". "Por que fui lá e me submeti à dor de ir ao tribunal, passar por um julgamento, reviver tudo, assistir a tudo acontecer de novo?", disse ela. "De certa forma, me deu a sensação de: qual é o ponto... qual era o sentido de me fazer passar por isso apenas para dizer que está tudo bem." A jovem contou que levou seis meses para falar sobre o ataque. "O motivo pelo qual falei foi porque estava me perdendo. Estava em espiral. Precisava de ajuda, mas não sabia como consegui-la, então resolvi falar", disse. Desde então, afirmou, "tudo que consigo pensar é em estar triste, com raiva, estressada, cansada — escola, precisar de um emprego, tentando colocar minha vida em ordem enquanto sinto que ela está desmoronando". A procuradora-geral terá 28 dias para decidir se as sentenças devem ser encaminhadas ao Tribunal de Apelação, mas o ministro Darren Jones sinalizou que a decisão deve vir antes disso. "Todos queremos analisar isso com urgência", disse ao programa, acrescentando que as garotas "merecem justiça, assim como suas famílias — por elas, mas também por todas as outras meninas que se encontrem nessa situação". A mãe da vítima disse que seu mundo "parou" quando soube do ataque. "Tudo parou de se mover", relatou. Em seguida, apelou diretamente ao primeiro-ministro: "Por favor, ajude. Se fosse sua filha, sua sobrinha, seu filho, seu sobrinho, alguém da sua família — você estaria satisfeito? Porque nós não estamos, e não acho que nenhum outro cidadão estaria. Você tem o poder de ajudar, então por favor ajude." O companheiro dela, que estava presente no tribunal na hora da sentença, disse ter se sentido "fisicamente mal" ao ouvir a decisão do juiz. "Parece que as vítimas são as que continuam sofrendo, enquanto os agressores aparentemente saíram impunes." Uma das meninas foi atacada em uma passagem subterrânea ao lado do rio Avon. CPS via BBC Na sentença, um dos meninos de 15 anos recebeu uma ordem de reabilitação juvenil de três anos com 180 dias de supervisão e vigilância intensivas, pelas acusações de estupro de cada uma das vítimas e por duas acusações de imagens indecentes. O outro menino de 15 anos recebeu a mesma pena por três acusações de estupro contra cada uma das vítimas e quatro acusações de produção de imagens indecentes. O menino de 14 anos recebeu uma ordem de reabilitação de 18 meses por ter incentivado um dos outros réus no ataque de janeiro de 2025. O deputado do Reform UK — partido de direita liderado por Nigel Farage —, Robert Jenrick, afirmou que a justiça não foi feita. "Se um juiz cometeu um erro grave — o que acredito ter acontecido neste caso —, ele deve ser responsabilizado", disse. A líder conservadora Kemi Badenoch disse na sexta-feira estar "enojada" com o caso: "O crime mal poderia ser mais grave, e a punição não foi punição alguma." A Comissária para a Infância da Inglaterra, Dame Rachel de Souza, disse estar "profundamente preocupada" e que seu escritório entraria em contato com as famílias para oferecer apoio. "Não quero que nenhuma jovem neste país sinta que algo assim pode acontecer e ficar sem resposta adequada", declarou. Um porta-voz do governo disse: "Compartilhamos a indignação pública diante dos detalhes deste caso horrível. Nossos pensamentos estão com as jovens vítimas neste momento tão difícil. Os responsáveis jurídicos estão revisando o caso com urgência e máxima atenção."