Justiça dá cinco dias para comandante da PMAM se defender em ação sobre interferência nas eleições em Parintins
Comandante-geral da Polícia Militar do Amazonas (PMAM), coronel Klinger Paiva. Divulgação/Secom A Justiça Eleitoral determinou a citação do comandante-ger...
Comandante-geral da Polícia Militar do Amazonas (PMAM), coronel Klinger Paiva. Divulgação/Secom A Justiça Eleitoral determinou a citação do comandante-geral da Polícia Militar do Amazonas, coronel Marcos Klinger dos Santos Paiva, para que apresente defesa no prazo de cinco dias a contar de segunda-feira (26), em uma ação que apura suposto abuso de poder político e de autoridade nas eleições municipais de 2024, em Parintins, no interior do estado. O caso teve início em 16 de agosto de 2024, a partir da divulgação de um vídeo gravado em 2 de agosto daquele ano, na casa de Adriane Cidade, prima e ex-assessora do deputado estadual e então candidato à Prefeitura de Manaus, Roberto Cidade (União Brasil), onde membros da alta cúpula do Governo do Amazonas, incluindo ex-secretários e agentes de segurança, discutem práticas consideradas ilegais pela Justiça para favorecer um dos candidatos ao pleito. A decisão consta no Diário Oficial do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM), publicado nesta segunda-feira (26), após o recebimento de uma Carta Precatória Cível encaminhada ao juízo da 2ª Zona Eleitoral de Manaus. A medida faz parte de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) em tramitação na 4ª Zona Eleitoral de Parintins. Segundo o documento, a citação é necessária para garantir o direito de defesa do comandante da PM, que foi incluído entre os investigados por decisão judicial. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp A inclusão de Klinger Paiva no processo atendeu a um pedido da coligação “Parintins em Primeiro Lugar”, que apoiou o atual prefeito do município Matheus Assayag (PSD). No requerimento apresentado à Justiça Eleitoral, a coligação solicitou que o comandante-geral da PM fosse incluído entre os investigados na AIJE, o que foi acatado pelo juízo. Com isso, Klinger passou a responder às acusações no mesmo grupo dos demais investigados envolvidos no caso. Por meio de nota, a Polícia Militar do Amazonas (PMAM) informou que o coronel Klinger Paiva, "tem prestado todas as informações necessárias aos órgãos competentes e que segue à disposição e reafirma que acredita na Justiça para o esclarecimento da verdade dos fatos". A ação pede a condenação dos investigados por abuso de poder político e de autoridade. Caso a Justiça reconheça as irregularidades, as sanções previstas na Lei Complementar nº 64/1990 incluem inelegibilidade por oito anos, além de outras penalidades. Após a citação, o comandante-geral deverá apresentar defesa prévia, etapa obrigatória antes do início da fase de instrução do processo, quando testemunhas poderão ser ouvidas e provas analisadas. A investigação segue em andamento. O caso As imagens mostram uma reunião com ex-secretários do governo estadual e dois policiais militares. No vídeo, eles admitem práticas como compra de votos em eleições anteriores, acompanhamento de viaturas da Polícia Federal para cometer crimes longe dos agentes e a intenção de levar pessoas ligadas a milícias e ao crime organizado para Parintins, com o objetivo de prendê-las em uma operação considerada “forjada”. De acordo com a Polícia Federal, durante as investigações surgiram indícios de que líderes comunitários ligados a uma facção criminosa estariam ameaçando eleitores e impedindo a circulação de candidatos em determinadas áreas do município. À época, o Governo do Amazonas informou, por meio de nota, que os secretários citados foram exonerados, afirmando que a medida teve como objetivo garantir a lisura das investigações e permitir que os envolvidos se defendessem de forma justa. MP recomenda exoneração de PMS filmados em reunião suspeita de favorecer candidata Operação Tupinambarana Liberta Em 3 de outubro de 2024, a Polícia Federal deflagrou a Operação Tupinambarana Liberta, com apoio da Corregedoria da Polícia Militar do Amazonas. A ação cumpriu cinco mandados de busca e apreensão em Manaus. Cerca de 50 policiais federais participaram da operação. As diligências ocorreram em um apartamento na avenida Darcy Vargas, no bairro Parque 10, e em um condomínio no bairro Adrianópolis, ambos na Zona Centro-Sul da capital. Ninguém foi preso. Além das buscas, a Justiça Eleitoral determinou a proibição de acesso dos investigados à cidade de Parintins e também proibiu o contato entre eles e com coligações partidárias do município. Os policiais militares envolvidos foram apresentados na sede da Polícia Federal, onde prestaram depoimento por cerca de uma hora e meia e, em seguida, foram liberados. Indiciamentos No dia 27 de agosto de 2025, a Polícia Federal indiciou: Marcos Apollo, ex-secretário de Cultura Fabrício Cyrino, ex-secretário de Administração Armando Silva do Valle, ex-presidente da Cosama Jackson Ribeiro, ex-comandante da ROCAM Guilherme Navarro, ex-comandante do Comando de Operações Especiais (COE) Eles foram indiciados pelos crimes de organização criminosa, corrupção eleitoral e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito. Segundo a PF, o grupo teria utilizado parte da estrutura do governo estadual, com apoio de policiais, para beneficiar uma candidatura à Prefeitura de Parintins, incluindo ações de compra de votos e tentativas de impedir o exercício do direito ao voto. Reunião de autoridades em Parintins é alvo de inquérito do MPAM Divulgação